Textos
Enigmática
Então eu perguntei ao anjo que habita o fim do mundo: Como escrever um verso que contemple a vida e a morte O sonho amargo, o despertamento indócil As cartas dos antigos declinando a sorte? De onde vem a solidão de um verso Se a alma, que é gêmea da poesia Quer dançar na eternidade, apenas O seu momento breve de alegria? Porque só o sofrimento constrói o álibi Da lágrima, que humildemente lava a alma E o grito somente distrai o coração O homem não consegue ir além do homem? Que força estranha move um canto Em graça, movimento e fino odor Que fustiga os confins da existencia E abraça a musica e a flor? De onde virá a palavra, o gesto, o bálsamo Que abrandará o dor dos homens? E ele não me respondeu, Discretamente não me respondeu!
Joao das Flores
Publicado em 06/11/2009 às 19h56
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