Textos
Poema do Perdão
Então eu levantei a cabeça, pai E os meus olhos quiseram Contemplar o incontemplável De onde retirar a luz para te ver, pai Se estes olhos feitos de barro e sombra Brigaram com o infinito? Então eu chorei, pai No ímpeto de que a lágrima limpasse a sombra E carregasse a sombra para o chão Sem profanar a santidade da terra Então eu gritei, pai Gritei para assustar as minhas dores Como se o grito despertasse a alma E acendesse a luz do coração Então eu orei, pai Com os olhos rentes à grama eu orei, pai Orei com a humildade do chão Que os meus pés pisoteiam Para a firmeza das mãos Então me perdoei, pai Com os dedos cravados na terra me perdoei Das mágoas que eu tive me perdoei E perdoei daquilo que nem sei Então junto a mim, pai Brotaram as papoulas e os lírios E os meus olhos se abriram para os girassóis E eu vi com estes olhos que queriam te ver O ninho das estrelas, a sementeira de sonhos Que em mim germinarão!
Joao das Flores
Publicado em 20/04/2010 às 13h09
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